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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Selecção de Portugal - Nº 1 : Cristiano Ronaldo

Regresso ao Eldorado - Edição nº 38

Glória aos predestinados escolhidos por desígnios divinos.
Cristiano Ronaldo, tal como previ em 2003, tornou-se o Melhor Jogador de Futebol da Actualidade e será, a médio prazo, mais uns cinco anos diria, o Melhor Jogador de Sempre do Futebol Português.
Ficará depois com a tarefa de se tornar uma lenda como Pelé, Maradona ou Cruijff.

Conheci quem tivesse conhecido Ronaldo no tempo em que ele era apenas um puto no lar dos jogadores do Sporting. Longe de casa, dos carinhos e da comida da mãe Dolores, só lhe interessava a bola. Hoje continua a viver e a respirar futebol, mas interessam-lhe também namoradas com grandes bolas.
Já lá vamos.

Debutou na equipa principal do Sporting aos 17 anos e resplandeceu no dia 06 de Agosto de 2003 na inauguração do estádio Alvalade XXI. O Manchester United estava do outro lado e logo tratou de levar o craque para Inglaterra. A partir daí tem sido vertiginosa a ascensão do craque português. O ano passado foi o terceiro melhor da Europa, este ano é indiscutivelmente o melhor e os títulos sucedem-se:
Em 2008, melhor marcador da Liga Inglesa, da Liga dos Campeões e de toda a Europa; melhor jogador de Inglaterra, campeão inglês e campeão europeu. Falta a cereja no topo do bolo, assim os outros "mininos" de Scolari puxem para o mesmo lado.
Info: Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, nasceu a 05 de Fevereiro de 1985. Jogou no Andorinha, no Nacional, no Sporting e no Manchester United. Venceu duas Ligas Inglesas, uma Liga dos Canpeões e uma Bota de Ouro e coleccionou várias distinções individuais. Marcou, até agora, 20 golos pela selecção nacional
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Jovem, bonito - o dinheiro ajudou a retocar o corpo -, extremamente rico e bem-sucedido, e tendo apenas 23 anos, estranho seria se a vida de Ronaldo fosse apenas futebol, sopinha ao jantar e deitar cedo.
Tendo bem presente o que "certos e determinados" vícios fizeram ao pai e ao irmão, não se conhecem aventuras do futuro nº 7 da selecção com álcool e drogas. Ainda bem para o "puto maravilha" que prefere "putas maravilhosas", chegando até a organizar orgias onde, diz-se, só observou e sabemos como se aprende muito quando se perscruta com interesse social, a interacção entre seres humanos despidos e cheios de vontade de... conviver.

Merche Romero foi uma namorada famosa, mas tem sido agora a tal Nereida Gallardo a principal responsável pela diminuição do número de árvores na Amazónia, tanto é o papel que a muy hermosa espanhola vende por esse mundo fora.
Não sei como é que o craque consegue alhear-se de tantos toplesses da namorada escarrapachados por centenas de revistas, potenciando milhões de pares de olhares gulosos, mas enfim, lá terá que encontrar uma maneira.

Amanhã começa o Europeu de Futebol e, num país cada vez mais deprimido atolado numa crise galopante, Ronaldo aparece quase como um Anti-Sócrates, brilha como o sol dos dias de esperança, contrapondo às luas do outro.
Portugal é hoje um pequeno Brasil até por isto, pela entrega a um desporto onde aparecemos como talentosos e que surge como derradeiro cuidado paliativo num país moribundo.
A expectativa é elevada e Cristiano Ronaldo é o porta-estandarte.
Que se concentre a fazer aquilo que sabe fazer melhor e deixe as Galhardias para mais tarde.

Segunda-feira há nova viagem na máquina do tempo.
Venha comigo assassinar saudades.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Selecção de Portugal - Nº 2 : Eusébio

Regresso ao Eldorado - Edição nº 36

Tenho sentimentos contraditórios por não ter visto Eusébio jogar em todo o seu esplendor.
Por um lado, lamento não ter nascido mais cedo para ver, com olhos de ver, a participação do mítico jogador no Mundial de 1966.
Por outro lado, isso significa que ainda sou "um jovem adulto", uma expressão que ficaria lindamente na National Geographic.

Aquele que muitos ainda consideram o melhor jogador de sempre made in Portugal, é afinal de contas, como se sabe, moçambicano, tal como hoje Deco e Pepe são brasileiros, Nani é de Cabo Verde ou Bosingwa do Congo.
Se quisesse ser definitivamente obtuso, ainda poderia acrescentar que o melhor marcador de sempre da equipa das quinas veio dos Açores e Cristiano Ronaldo da Madeira. Só para chegar à seguinte conclusão prenhe de bacoco regionalismo: Os melhores jogadores de futebol de Portugal Continental nasceram na Margem Sul.
Vale o que vale, sendo que numa conjuntura cada vez mais globalizante, não vale nada.

Eusébio, no tempo do futebol a preto e branco, ficou conhecido como "Pantera Negra", pela velocidade empregue nos lances, pela elegância com que se furtava aos adversários, pela agilidade quase felina e, acrescento eu, pela enervante falta de jeito para articular palavras que soem a alguma coisa.
info: Eusébio da Silva Ferreira nasceu em Lourenço Marques a 25 de Janeiro de 1942.
Representou o Benfica desde 1961. No final da carreira jogou nos EUA e, em Portugal, no Beira Mar e no União de Tomar. Foi 11 vezes (!!) campeão nacional, conquistou cinco Taças de Honra, cinco Taças de Portugal, duas Taças dos Clubes Campeões Europeus, foi sete vezes o melhor marcador de Portugal, ganhou duas Botas de Ouro europeias e foi o melhor marcador do Mundial de 1966, com nove golos. Marcou 41 golos pela selecção nacional.
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Eusébio, ícone benfiquista com direito a estátua junto ao estádio, esteve quase, quase a ser do Sporting mas parece que, na altura, o Benfica ofereceu mais dinheiro.
Reza a história que, no primeiro jogo com a camisola encarnada, o moçambicano marcou quatro dos três golos com que o Benfica venceu o Atlético num jogo particular.
Mais tarde, ajudou a equipa das águias a sagrar-se Campeã Europeia, marcando dois golos ao colosso Real Madrid.
Nascia uma lenda do futebol europeu e mundial, que teve o seu momento de glória no célebre 5-3 com a Coreia do Norte.

Na foto acima, talvez a mais famosa do Pantera Negra, Eusébio vai buscar a bola ao fundo das redes coreanas para mais depressa apressar a reviravolta lusitana, num dos mais emocionantes jogos que a selecção realizou.

Involuntariamente usado como produto panfletário do regime de Salazar, Eusébio não pôde seguir carreira de sucesso nos maiores clubes da Europa, retirando àquele que foi durante décadas o recordista de golos pela selecção, a possibilidade de conquistar mais títulos europeus.
Um pouco por isso, e não por ser do Benfica, surge nesta lista no número 2 dos melhores de sempre e não, como tem sido consensual no primeiro lugar.
É que o número 1, ao que tudo indica, já é outro, 40 anos depois.

Amanhã há nova viagem na máquina do tempo.
Venha comigo assassinar saudades.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Selecção de Portugal - nº 3 : Figo

Regresso ao Eldorado - Edição nº 34

Era um jogador de perna gorda mas de finos movimentos, aquele que se via jogar lá em baixo.
Um dos mais evoluídos tecnicamente, entre os que vestiam a camisola dos juniores de Portugal que, naquele dia, se sagrariam bi-campeões mundiais de juniores.

Estávamos em 1991 e o antigo Estádio da Luz estava cheio como nunca.
Eu, o meu pai e o meu irmão fazíamos a enésima representação da peça "Sardinhas em Lata", uma eterna representação que nós, portugueses, gostamos de repor nos mais variados palcos, onde acorremos como cães com o cio.

Luís Figo tinha um penteado ridículo, à Maria Amélia, as tais pernas gordas, um jeito algo molengão, mas o talento estava lá. Hoje vive o acaso da carreira no Inter de Milão, mas para trás fica um currículo de sonho, tantas foram as conquistas nos melhores clubes da Europa.
info: Luís Filipe Madeira Caeiro Figo nasceu em Almada, a 04 de Novembro de 1972. Foi descoberto num clube de bairro, o Pastilhas, sendo depois contratado pelo Sporting. Jogou em Espanha no Barcelona e no Real Madrid, e em Itália no Inter de Milão. Foi eleito o Melhor do Mundo em2001.
Conquistou quatro campeonatos de Espanha, três de Itália, uma Taça de Portugal, duas Copas do Rei, uma Taça de Itália, duas Supertaças europeias, uma Taça das Taças, uma Liga dos Campeões , um Mundial de Clubes e um Mundial de Juniores.
Marcou 32 golos pela Selecção nacional.
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Depois de um aquecimento de motores no Sporting, Figo explodiu - até fisicamente - no Barcelona, o meu clube preferido além fronteiras. Tomara eu que todos os jogadores do Sporting saíssem para o Barça, que seria assim um Sporting de luxo. Mas não adianta ter redondas utopias quando o futebol é cada vez mais quadrado.

No ano 2000, Figo trocou os bleu grenat pelos rivais do Real Madrid e foi quase o fim do mundo.
Chamaram-lhe pesetero e no regresso à Cidade Condal foi recebido com apupos e cabeças de porco lançadas para o relvado. E não, não havia batatas fritas a acompanhar.
Em 2005 foi para o Inter de Milão dando sequência ao ritmo de cinco anos por clube.

Figo está, por mérito próprio, na história do futebol português e também na história das conquistas masculinas porque fisgar uma Helen Svedin é equivalente, no mínimo, a quatro campeonatos do mundo consecutivos.
Não é preciso encharcar-me de cerveja para perguntar:
"Figo, a tua mulher é muita boa, não é?"

Amanhã há nova viagem na máquina do tempo.
Venha comigo assassinar saudades.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Selecção de Portugal - Nº 4 : Futre

Regresso ao Eldorado - Edição nº 32

O nome já diz tudo: é nome de craque, marca registada de fintas relâmpago, raides em excesso de velocidade, serpente genial e astuta à flor da relva.
Ainda ontem escrevia sobre Chalana, o 5º lugar deste top dos melhores futebolistas de sempre e hoje já se recorda aqui outro esquerdino ainda mais espectacular.

Se Chalana foi o primeiro produto futebolístico português a ser exportado, essa dimensão sobredimensionou-se com Paulo Futre.
Atlético Madrid, Marselha e Milan foram alguns dos clubes europeus que representou, em especial depois do show na final da Taça dos Campeões Europeus de 1987.
E foi também a primeira estrela nascida e criada nas escolas do Sporting.
Depois é o que se sabe: Figo, Simão, Quaresma e Ronaldo foram feitos na mesma fornalha.

E se, voltando a Chalana, houve oportunidade de o ver ao vivo e a cores na sala da minha avó, em relação a Futre tive o privilégio de o ver a jogar meia dúzia de metros à minha frente.
Estávamos no Montijo, no final dos anos 80 e o jogador português vivia ainda a glória de ter sido campeão europeu pelo F.C. Porto.
Havia grande agitação no ringue do Jardim do Montijo. As bancadas de pedra estavam repletas de olhares deliciados com o menino da terra, que jogava uma futebolada de final de época com alguns amigos.
info: Paulo Jorge dos Santos Futre nasceu no Montijo a 28 de Fevereiro de 1966. Formou-se no Sporting, mas transferiu-se muito novo para o F.C. Porto, clube pelo qual foi campeão europeu de futebol. Representou a selecção de Portugal no Mundial de 1986.
Venceu duas ligas portuguesas, uma liga italiana, uma taça de Portugal, duas supertaças, duas Copas do Rei e, claro, uma Taça dos Clubes Campeões Europeus. Marcou 6 golos pela Selecção Nacional.

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Era nesse ringue que costumava almoçar uma sandes e um bolo, enquanto lia a extinta "Gazeta dos Desportos", comprada na papelaria do velho Salvador.
Estava lá a ler o jornal no dia seguinte ao da vitória portista sobre o Bayern de Munique, uma conquista épica que teve direito a slalons do menino de ouro e calcanhares mágicos.
Nesse dia fui portista e português com orgulho.
E estive naquelas bancadas muitas vezes, outras lá em baixo, jogando com amigos, na fase em que joguei melhor em toda a minha vida.

Mas nesse final de tarde de Junho, Futre concentrava atenções. Era efectivamente um prazer vê-lo jogar, mesmo que a brincar, porque todas as suas acções eram espectaculares.

O pior foi quando o vi mais tarde com a camisola do Benfica, e ainda a jogar bem, como na final da taça conquistada ao Boavista com um enorme 5-2.
Um menino formado no Sporting com a camisola encarnada? Escândalo na época, mas viria a acontecer já neste século com o Simãozinho.
Leões degenerados é o que eles são.

Amanhã há nova viagem na máquina do tempo.
Venha comigo assassinar saudades.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Selecção de Portugal - Nº 5 : Chalana

Regresso ao Eldorado - Edição nº 30

A estrutura habitual deste blogue aparece alterada esta semana como forma de assinalar o Europeu de Futebol que começa no próximo sábado.
Assim, de hoje até sexta-feira, o "Regresso ao Eldorado" vai publicar o top 5 dos melhores futebolistas portugueses de sempre, um lote de luxo que desenhou magia nos relvados e encantou multidões.

A entremear este lote de cinco magníficos, os habituais postais de cidades lusitanas, sendo que, desta vez, a série estará directamente relacionada com o local de nascimento de cada artista do mundo da bola.
É por isso que começamos com um "Era uma vez... no Barreiro", publicado no post de baixo.

E não se afastem já aqueles e aquelas que não gostam de futebol, porque prometo manter uma linguagem acessível e humorada.
Hoje temos o nariz do Chalana e o homem que está por detrás da penca.

Eu cheguei a ver o Chalana ao vivo.
Não a jogar nos estádios, mas em casa da minha avó.
E isto porque o pequeno genial é primo da Cristina que foi casada com o meu tio Afonso.
Como se pode ver na foto publicada na rubrica "O Pequeno Johnny", Deus foi clemente e poupou-a ao vexame de ostentar um grande nariz como o primo que deliciou os adeptos do Benfica nas décadas de 70 e 80.
info: Fernando Albino Sousa Chalana nasceu no Barreiro, a 10 de Fevereiro de 1959. Representou o Benfica nas décadas de 70 e 80 e o Bordéus, após o Europeu de 1984 onde foi uma das figuras em destaque. Apesar do seu futebol genial só marcou dois golos com a camisola de Portugal. Mas ofereceu muitos para outros marcarem.
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O nariz exuberante e logo abaixo um farfalhudo bigode a disfarçar o tamanho, foram algumas das imagens de marca do jogador do Barreiro que, pelas parecenças físicas com a personagem de b.d. Astérix, ficou também conhecido como "Chalanix".

Mas nos relvados era o valioso pé esquerdo de Chalana que encantava os adeptos e fazia desesperar os adversários.
O Europeu de 1984, em terras de França, foi o seu grande momento: Inúmeros slalons de fintas mirabolantes e assistências para golo levaram a equipa das quinas ao terceiro lugar.
Nesse ano, melhor do que ele, só Platini e Tigana.

O narigudo foi depois para o Bordéus e, com o dinheirinho, Fernando Santos, então presidente do Benfica, mandou concluir o terceiro anel do antigo Estádio da Luz.
Hoje está tudo feito em pó.

Ultimamente Chalana voltou a ser notícia por se ter tornado treinador do Benfica depois da saída de Camacho, mas não parece talhado para grandes feitos como técnico.
Nos relvados, com uma bola à frente dos pés, era diferente.

Amanhã há nova viagem na máquina do tempo.
Venha comigo assassinar saudades.